Devday Belo Horizonte: Uma visão além do código

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Tive a oportunidade de participar do Devday, um evento que aconteceu no dia 1º de Setembro, na UFMG, em Belo Horizonte, pelo pessoal do DevIsland, como eles mesmo dizem: “Um evento feito por quem desenvolve e para quem desenvolve software.”

Desde que comecei a fazer parte de comunidades de desenvolvimento e de design (também UI/UX), comecei a enxergar ali uma oportunidade de crescer em vários sentidos. No profissional, conhecendo novas tecnologias, técnicas e métodos, e no pessoal, eliminando a timidez, saindo da zona de conforto e, principalmente, conhecendo pessoas com visões diferentes. E é disso que eu quero conversar com você aqui, sobre visões diferentes.

Fui para o evento com uma visão um pouco diferente que eu teria, talvez, há algum tempo atrás. Fui atrás de um conhecimento muito além do código, estava ali para entender e conhecer as pessoas.

Antes de te contar como foi o evento e o que eu vi por lá, fiz um compilado do dia em um video, que está disponível no Youtube:

Com o lema Code! Code! Code!, o Devday BH foi um dia inteiro dividido entre 5trilhas de palestras simultâneas, além de um espaço kids. Tinha de tudo para todos os gostos, uma pena não conseguir ver algumas palestras por conflito de horários mas, por sorte, daqui um tempo todas as palestras estarão disponíveis online no site da InfoQ. (Momento jabá desse que vos escreve: minha palestra do ano passado sobre acessibilidade web está disponível lá!)

Até mesmo no Devday do ano passado eu percebi que lidar com pessoas, em eventos, é algo transformador. Eu lembro que fiquei boas horas do lado de fora conversando com as pessoas, e essa troca de conhecimento acaba despertando muitas mudanças. Sabe aquela tecnologia que você talvez tem vontade de usar? Pode ser que alí você encontre alguém que já a usa e o ajude a dar o pontapé inicial.

A credencial do Devday foi um disquete.
A credencial do Devday foi um disquete.

Resumão do Devday

Aqui vai um pouquinho do que pude aprender em cada uma das palestras que assisti.

A abertura do evento ficou por conta da Maíra Pimentel, uma das fundadoras da Tamboro, com a palestra “Hackeando o futuro no mercado de trabalho”. Para o início do evento, a palestra casou muito com o que eu estava procurando naquele dia, conhecer mais sobre as pessoas, questionar mais. A palestra teve como tema o mercado de trabalho, profissões e as constantes transformações. “A questão da habilidade de comunicação, a questão da resolução do problema complexo, de um desbloqueio do pensamento criativo, da diversidade, da identidade — porque não adianta dar conta disso tudo se você não se conhecer bem e entender o que te dá tesão de fazer, pois quando você descobre isso, é irreversível.

A pergunta final que ela deixou em aberto proporciona muitos pensamentos e reflexões e deixo aqui para você, que não teve a oportunidade de estar lá, se questionar também:

O que te mobiliza? Você vai ficar correndo atrás de resolver bugs ou criar soluções que de fato irão mudar, no mínimo, a sua vida?” — Maíra Pimentel

Um fator curioso foi essa diferença de top 10 habilidades para o mercado de trabalho que a Maíra elencou.

Top 10 habilidades para 2020: 1- soluções de problemas complexos, 2-pensamento crítico, 3-criatividade, 4-gestão de pessoas, 5-relacionamento interpessoal, 6-inteligência emocional, 7-julgamento e tomada de decisão, 8-orientação para serviços, 9-negociação e 10-flexibilidade cognitiva. Fonte: Relatório "O futuro do trabalho (2016) do fórum econômico.
Top 10 habilidades para 2020: 1- soluções de problemas complexos, 2-pensamento crítico, 3-criatividade, 4-gestão de pessoas, 5-relacionamento interpessoal, 6-inteligência emocional, 7-julgamento e tomada de decisão, 8-orientação para serviços, 9-negociação e 10-flexibilidade cognitiva. Fonte: Relatório “O futuro do trabalho (2016) do fórum econômico.

A primeira palestra que escolhi assistir foi a do Cláudio Dusik, com o tema Acessibilidade, Educação e Inclusão. Intitulada de “Projetando o Futuro: tecnologia e possibilidades”, o Cláudio contou toda a sua história de vida de uma forma super bem humorada e já contou sua história em diversos lugares, como no TEDx Talks.

Cláudio Dusik palestrando
Projetando o Futuro: tecnologia e possibilidades, por Cláudio Dasik

Aquelas quase 2h30 passaram voando, e não teve uma pessoa sequer que não teve uma lágrima escorrendo dos olhos. A cada história de superação contada, um pensamento sobre o potencial que nós temos. Cláudio falou sobre a educação em direitos humanos, educação especial e inclusão de pessoas com necessidades educacionais, falando também de tecnologias assistivas.

São os nossos desejos, e não nossas condições, que determinam até onde podemos chegar. — Cláudio Dusik

Medos, incertezas e repressão são palavras que cercam muitas pessoas da área de desenvolvimento. A Daiane Freira, de uma forma bem empática abriu o seu coração e contou a sua história e trajetória profissional enquanto mulher na área de tecnologia. Mesmo com as barreiras enfrentadas, via-se claramente que o seu tom era sempre de esperança. Falou-se muito sobre representatividade, resiliência e empatia.

Palestra da Daiane Freira
Palestra da Daiane Freira

Falar de UX em eventos com foco em código nem sempre é algo que as pessoas procuram, mas no Devday é bem diferente: nós estamos desenvolvendo software para pessoas, e fazer com que a sua experiência seja positiva é o nosso papel, também! Conheço a Kate pelos meetups e acho incrível a sua iniciativa de compartilhar suas ideias de UX e front com a comunidade, é uma pessoa que admiro bastante! A Kate falou sobre as heurísticas de Nielsen e, através de exemplos, como podemos melhorar nossas interfaces, tanto web, como mobile.

Kate Leandra na palestra UX: Análise das heurísticas, ponto de partida para a criação e melhoria de uma interface
Kate Leandra na palestra UX: Análise das heurísticas, ponto de partida para a criação e melhoria de uma interface

A Virginia mostrou o resultado de um estudo que realizou em atividades durante as suas aulas (ela é professora do Coltec – escola técnica da UFMG) utilizando C# e Unity, a palestra intitulada de “Desenvolvimento de jogos acessíveis utilizando Unity” mostrou como se pode criar um jogo pensando em acessibilidade, quais foram os desafios encontrados durante o desenvolvimento e quais são as possibilidades do que se pode desenvolver.

Palestra da Virgínia  sobre Desenvolvimento de jogos acessíveis utilizando Unity.
Palestra da Virgínia sobre Desenvolvimento de jogos acessíveis utilizando Unity.

E, para finalizar o dia, a palestra do Álvaro Justen (Turicas), foi bem instigadora no sentido de fazermos pensar sobre dados públicos e abertos. Intitulada “Libertando os dados públicos”, Turicas mostrou o trabalho que vem desenvolvendo com os dados disponíveis, muitas vezes os dados não estão disponíveis de uma forma plausível a quem não programa e o que ele faz é exatamente transformar essas dados inacessíveis disponíveis para as pessoas. O Brasil.io é um site mantido por ele que possui um repositório de dados públicos de forma acessível.

Concluindo isso tudo…

O mais interessante em eventos com tecnologias diversas é que podemos nos conectar e conhecer pessoas de diferentes backgrounds e fora de nossa bolha profissional e social. E espero que um post como este possa ter te mostrado como um evento de tecnologia pode lhe acrescentar e instigar a pensarmos mais sobre as pessoa. E deixo aqui a mesma reflexão que a Maíra nos trouxe: o que te mobiliza?

Abraços!

Thiago Marques

Postado por Thiago Marques

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